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 Crédito imobiliário da Caixa cresce 102 porcento

O Estado de S. Paulo

01/02/2010


A Caixa Econômica Federal destinou R$ 47,05 bilhões ao crédito habitacional em 2009 e espera superar R$ 50 bilhões este ano, segundo o vice-presidente de Governo da instituição, Jorge Hereda. O valor atingido em 2009 foi recorde e representou crescimento de 102% em relação a 2008. Sozinha, a Caixa respondeu por 71% de todo crédito imobiliário no País.


Resultado ultrapassou todas as expectativas (Foto: Divulgação)

Resultado ultrapassou todas as expectativas (Foto: Divulgação)



O desempenho da Caixa em 2009 surpreendeu os especialistas do setor e superou os R$ 45 bilhões que a própria presidente da instituição, Maria Fernanda Coelho, havia informado em meados deste mês sobre o total de recursos liberados.


“O resultado ultrapassou todas as expectativas”, afirmou Celso Petrucci, economista-chefe e diretor executivo do Secovi-SP, entidade que reúne todos os segmentos ligados à construção civil habitacional.


Segundo ele, a forte atuação da Caixa no crédito imobiliário reflete a decisão do governo de ampliar a participação dos bancos públicos no momento em que o crédito secou por causa da crise financeira.


“O ano de 2010 será de forte concorrência entre os bancos no crédito imobiliário e quem vai ganhar será o consumidor”, prevê. Desde o segundo semestre de 2009, os bancos privados demonstraram maior intenção de avançar nesse segmento.


O presidente do Sindicato da Indústria da Construção de São Paulo (Sinduscon-SP), Sergio Watanabe, é outro que ficou surpreso com os resultados da Caixa. “Começamos 2009 em situação indefinida”, lembra.


Para este ano, Watanabe está otimista: espera que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil em geral, não só a imobiliária, cresça 8,8%, e a economia como um todo, entre 5% e 6%.


MINHA CASA - Entre os fatores que sustentam esse otimismo, Watanabe aponta o programa habitacional do governo “Minha Casa, Minha Vida”. “O forte desse programa deve ocorrer este ano”, comentou.


Jorge Hereda ressaltou que o programa criou novas condições de compra dos imóveis e incentivou empresários do setor a voltar a investir. “A Caixa ocupou o espaço dos bancos privados quando eles recuaram”, disse.


No ano passado, o crédito da Caixa destinado ao Minha Casa, Minha Vida somou R$ 14,1 bilhões. Foram beneficiadas 275,528 mil famílias. A meta interna da Caixa era contratar 400 mil unidades.


Hereda reiterou que o banco pretende concluir o financiamento do total de 1 milhão de unidades previsto no programa até o fim de 2010.


Até 31 de dezembro foram recebidas propostas de financiamento no Minha Casa, Minha Vida de 656,368 mil unidades para todos os segmentos de renda, o equivalente a 66% da meta do programa.


A Caixa espera ter dentro de seu sistema o total de 1 milhão de unidades enquadradas nos moldes do programa até maio. Segundo Hereda, nessa projeção estão incluídas as unidades contratadas e também as em análise. A Caixa também espera cumprir a meta do governo de contratações de 1 milhão de unidades até o fim deste ano.


GARGALOS - Apesar de o otimismo predominar no setor do crédito imobiliário, os empresários ligados à construção estão preocupados com possível gargalos no setor para erguer as moradias.


“Estamos preocupados”, disse Petrucci, do Secovi-SP. Ele a aponta a falta de mão de obra como um obstáculo enfrentado pelos construtores. Outro foco de preocupação , segundo ele, é o fornecimento de matérias-primas básicas, como aço e cimento, que estão nas mãos de poucos e grandes fornecedores. “Poderemos ter inflação setorial”, alertou Watanabe, do Sinduscon-SP.



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